No livro Ofício de Cartógrafo (2002), Barbero faz sua introdução baseado nas justificativas da criação de tal obra; onde atende a pedidos para que, através de seus diversos escritos, elaborasse uma coletânea; além de analisar estudos de comunicação e abordagens proporcionadas pela tecnologia. Mas antes de tal feito, dá significados para a nomeação de tal ofício.
No capítulo denominado Tecnologia: inovações culturais e usos sociais, Barbero fala do impacto das novas tecnologias da comunicação e do cuidado com as armadilhas presentes no discurso acerca dos efeitos da tecnologia sobre a cultura, propondo uma recolocação dos termos presentes no tema. Armadilhas essas que de um lado opõe a tecnologia à cultura, e de outro revela um contraditório conceito de efeito. Mas seu texto não considera os efeitos e sim as interrogantes que as novas tecnologias de comunicação colocam no âmbito cultural para os latino-americanos e o desafio de pensá-las.
Na América Latina, a introdução dessas novas tecnologias traz a contemporaneidade (tempo entre produção e consumo) e a não-contemporaneidade (hipótese do autor sobre consumo e espaço social e cultural); onde representam um processo de aceleração da modernidade, excluindo aqueles que delas não se apropriarem. Porém, tal aceleração imposta representa o que Barbero chama de processo de esquizofrenia e seus sinais, tendo expansões tecnológicas diferenciadas entre capital e interior, e mesmo assim possuindo fascinação e deslumbramento parecidos. As novas tecnologias trariam duas questões: o início de uma nova configuração cultural ou um projeto de nova sociedade, importando modelos globais de organização do poder impedindo a identificação do indivíduo com sua etnia, sua raça, sua classe; e a presença de culturas populares, que ao serem impedidas pelas tecnologias acabam evidenciando sua força. A renúncia da própria memória em nome de uma memória eletrônica; a qual acabará se moldando nas figuras do poder.
Através dos filmes de ficção científica no cinema e na televisão é que essas novas tecnologias chegam às maiorias latino-americanas de forma espetacularizada nos lançando a um futuro inocentado através da figura do robô sempre bom e a serviço dos bons, da beleza e eficácia da máquina de guerra. Resultado disso: fetichismo e fascinação.
Os modos de apropriação do rádio e seu uso popular também são considerados em situações distintas. Uma no processo de independência da Argélia, onde passa a desempenhar um papel, antes rejeitado, de libertação nacional, na luta de uns para fazer-se ouvir e outros para conseguir escutar. Outra situação, já na América Latina, é a de encontros de imigrados através do rádio feitos sem especialização e a de vendedoras do mercado e seus gravadores censurados pela religião. É o modo de luta daquele que não pode se retirar para o seu lugar e vê-se obrigado a lutar no terreno do adversário.
Barbero reconhece que o impacto das tecnologias sobre a cultura exige uma reescrita da história, distinguidos por ele nos processos de modernização (1930-1950) e de desenvolvimento (1960-1970). Cita antes o movimento ludita, pelo qual operários mais instruídos e qualificados (onde por muito pensaram serem os operários mais “primitivos”) destruíram as máquinas de trabalho, percebendo antecipadamente a relação das novas máquinas com as novas relações sociais e acúmulo de riquezas não destinadas a eles. Máquinas símbolo das novas formas de exploração e sofrimento. Nos anos 1930 na América Latina, o processo de modernização significava adequação das economias às exigências do mercado mundial, e as novas tecnologias (estradas, ferrovias, telégrafo, rádio e telefone) exercem um papel fundamental. Aparecem na cena social as massas urbanas e suas demandas, onde o que era privilégio de minorias agora é reclamado como direito das maiorias. Dar acesso social às massas e responder suas demandas é massificar, e são essas demandas o papel-chave das novas tecnologias de comunicação do momento como o rádio (passagem das culturas rurais à nova cultura urbana) e o cinema (o qual teatraliza a nação). Já o processo de desenvolvimento, traz a idéia de crescimento econômico nas reformas do Estado e da sociedade, segundo o qual se alguns países são pobres não é por falta de justiça social, mas porque não produzem. Surge uma nova tecnologia, a televisão; e os meios de comunicação são colocados nas mãos da empresa privada. A comunicação torna-se a medida do desenvolvimento expressa em números de exemplares de jornais, de receptores de rádio e televisão. Se o rádio e a televisão foram receptivos à diversidade cultural, com a televisão surge a tendência à constituição de um só público. Perde-se um imaginário de consumo nacional por um transnacional, propondo um só modelo de desenvolvimento para todos; trazendo a tendência a confundir realidade com atualidade.
As novas tecnologias de comunicação devem ser estudadas não só em relação a inovação tecnológica, mas ao movimento social. Elas estão transtornando a economia do tempo, uma vez que a aceleração das mudanças desvaloriza qualquer outro tempo; seja ele o tempo da história, das culturas indígenas, negras, ocidentais e o tempo das suas mestiçagens. A participação social e política também sofre transtornos pelas inovações tecnológica. De um lado dotando indivíduos e grupos de uma capacidade de resposta que nunca tiveram antes (participação democrática); de outro a procura por formas mais sofisticadas de centralização e controle social.
O que as novas tecnologias põem a descoberto parece ser o descompasso entre a nova era da informação e a velha organização social e política ainda modelada sobre os restos da revolução industrial. O cerco tecnológico torna-se, assim, uma chamada à construção de um âmbito de autonomia a partir do qual seja possível pensar tanto a implantação racional de tecnologias como a defesa das soberanias nacionais. Acabou-se a imposição de uma programação homogênea, porém com isso, torna-se possível um isolamento maior de acordo com a possibilidade econômica de cada um, sem enfrentar a interpelação cultural dos outros.
No capítulo denominado Tecnologia: inovações culturais e usos sociais, Barbero fala do impacto das novas tecnologias da comunicação e do cuidado com as armadilhas presentes no discurso acerca dos efeitos da tecnologia sobre a cultura, propondo uma recolocação dos termos presentes no tema. Armadilhas essas que de um lado opõe a tecnologia à cultura, e de outro revela um contraditório conceito de efeito. Mas seu texto não considera os efeitos e sim as interrogantes que as novas tecnologias de comunicação colocam no âmbito cultural para os latino-americanos e o desafio de pensá-las.
Na América Latina, a introdução dessas novas tecnologias traz a contemporaneidade (tempo entre produção e consumo) e a não-contemporaneidade (hipótese do autor sobre consumo e espaço social e cultural); onde representam um processo de aceleração da modernidade, excluindo aqueles que delas não se apropriarem. Porém, tal aceleração imposta representa o que Barbero chama de processo de esquizofrenia e seus sinais, tendo expansões tecnológicas diferenciadas entre capital e interior, e mesmo assim possuindo fascinação e deslumbramento parecidos. As novas tecnologias trariam duas questões: o início de uma nova configuração cultural ou um projeto de nova sociedade, importando modelos globais de organização do poder impedindo a identificação do indivíduo com sua etnia, sua raça, sua classe; e a presença de culturas populares, que ao serem impedidas pelas tecnologias acabam evidenciando sua força. A renúncia da própria memória em nome de uma memória eletrônica; a qual acabará se moldando nas figuras do poder.
Através dos filmes de ficção científica no cinema e na televisão é que essas novas tecnologias chegam às maiorias latino-americanas de forma espetacularizada nos lançando a um futuro inocentado através da figura do robô sempre bom e a serviço dos bons, da beleza e eficácia da máquina de guerra. Resultado disso: fetichismo e fascinação.
Os modos de apropriação do rádio e seu uso popular também são considerados em situações distintas. Uma no processo de independência da Argélia, onde passa a desempenhar um papel, antes rejeitado, de libertação nacional, na luta de uns para fazer-se ouvir e outros para conseguir escutar. Outra situação, já na América Latina, é a de encontros de imigrados através do rádio feitos sem especialização e a de vendedoras do mercado e seus gravadores censurados pela religião. É o modo de luta daquele que não pode se retirar para o seu lugar e vê-se obrigado a lutar no terreno do adversário.
Barbero reconhece que o impacto das tecnologias sobre a cultura exige uma reescrita da história, distinguidos por ele nos processos de modernização (1930-1950) e de desenvolvimento (1960-1970). Cita antes o movimento ludita, pelo qual operários mais instruídos e qualificados (onde por muito pensaram serem os operários mais “primitivos”) destruíram as máquinas de trabalho, percebendo antecipadamente a relação das novas máquinas com as novas relações sociais e acúmulo de riquezas não destinadas a eles. Máquinas símbolo das novas formas de exploração e sofrimento. Nos anos 1930 na América Latina, o processo de modernização significava adequação das economias às exigências do mercado mundial, e as novas tecnologias (estradas, ferrovias, telégrafo, rádio e telefone) exercem um papel fundamental. Aparecem na cena social as massas urbanas e suas demandas, onde o que era privilégio de minorias agora é reclamado como direito das maiorias. Dar acesso social às massas e responder suas demandas é massificar, e são essas demandas o papel-chave das novas tecnologias de comunicação do momento como o rádio (passagem das culturas rurais à nova cultura urbana) e o cinema (o qual teatraliza a nação). Já o processo de desenvolvimento, traz a idéia de crescimento econômico nas reformas do Estado e da sociedade, segundo o qual se alguns países são pobres não é por falta de justiça social, mas porque não produzem. Surge uma nova tecnologia, a televisão; e os meios de comunicação são colocados nas mãos da empresa privada. A comunicação torna-se a medida do desenvolvimento expressa em números de exemplares de jornais, de receptores de rádio e televisão. Se o rádio e a televisão foram receptivos à diversidade cultural, com a televisão surge a tendência à constituição de um só público. Perde-se um imaginário de consumo nacional por um transnacional, propondo um só modelo de desenvolvimento para todos; trazendo a tendência a confundir realidade com atualidade.
As novas tecnologias de comunicação devem ser estudadas não só em relação a inovação tecnológica, mas ao movimento social. Elas estão transtornando a economia do tempo, uma vez que a aceleração das mudanças desvaloriza qualquer outro tempo; seja ele o tempo da história, das culturas indígenas, negras, ocidentais e o tempo das suas mestiçagens. A participação social e política também sofre transtornos pelas inovações tecnológica. De um lado dotando indivíduos e grupos de uma capacidade de resposta que nunca tiveram antes (participação democrática); de outro a procura por formas mais sofisticadas de centralização e controle social.
O que as novas tecnologias põem a descoberto parece ser o descompasso entre a nova era da informação e a velha organização social e política ainda modelada sobre os restos da revolução industrial. O cerco tecnológico torna-se, assim, uma chamada à construção de um âmbito de autonomia a partir do qual seja possível pensar tanto a implantação racional de tecnologias como a defesa das soberanias nacionais. Acabou-se a imposição de uma programação homogênea, porém com isso, torna-se possível um isolamento maior de acordo com a possibilidade econômica de cada um, sem enfrentar a interpelação cultural dos outros.
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